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PRIMEIROS DIÁLOGOS

JUN 19, 2018

POR FABIANA SECCHIS

VIVA BEM - CARREIRAS - DESTAQUE

“O grande drama das pessoas é a falta de diálogo, de comunicação.”

O nosso conteúdo de hoje é sobre uma empresa muito diferente e inovadora chamada Primeiros Diálogos. Uma empresa diferente de tudo que você já ouviu e viu. Mas antes de falar dela, o fundador Renato Zurlini vai contar sobre a sua história profissional de como chegou até aqui.

Segundo Renato Zurlini:

“Um diálogo pode ser feito de palavras ou de silêncio. Às vezes, o silêncio fala mais do que as palavras. Eu, como alguém disposto ao diálogo, acredito que todas as partes têm as suas razões. Como mediador, posição em que devo ser imparcial por princípio, não julgar faz parte do meu trabalho. Não sou eu que vou dizer quem tem razão ou não.

Assim como as pessoas se ouvem e não se escutam, as pessoas falam e não dizem nada. Tratar o diálogo como inovação já é o melhor caminho para a sociedade contemporânea prestes a entrar na chamada quarta revolução.

Essa história começa em janeiro de 2002. Eu era Diretor de Arte de uma multinacional de propaganda com uma expectativa de uma carreira brilhante e logo vi a oportunidade de abrir meu próprio studio e atender pequenas e médias empresas de uma forma mais pessoal e customizada. Naquele momento, o mercado era promissor e eu me via mais promissor ainda. Atendi inúmeros clientes e dirigi várias campanhas. Vivia no mundo maravilhoso da publicidade e aquilo me bastava.

Em 2010, o mercado publicitário iniciou um processo de mudança com a chegada avassaladora da internet, e eu, sempre foi um apaixonado pelo papel. No meu último esforço de me adaptar a nova realidade, busquei parcerios com outras especialidades, e juntos, poderiamos atender clientes oferecendo as mais variadas plataformas, de forma colaborativa, adequados à nova demanda. Daí me deparei com a maior dificuldade de todas: o ser humano. Conversando com um amigo que é Psicologo, vem a sugestão de um curso de Mediação para aprender técnicas de como lidar com pessoas e conflitos. Curso começou e o meu negócio fracassou.

A publicidade aos poucos começou a perder sentido para mim. Estimular o consumo de produtos e o envolvimento da vida de inúmeras pessoas presas a um sistema de produção-propaganda-trabalho-dinheiro-consumo, não combinava com a maturidade batendo à minha porta e me fez rever meus própositos de vida. Senti uma necessidade vital de ajudar as pessoas de alguma forma. É neste momento que a Mediação de Conflitos fez sentido e despertou profundamente a minha paixão pelo diálogo, prática em extinção em tempos de smartphones e Facebok’s. No fim do curso, tinha certeza do que eu gostaria de fazer: transformar as relações humanas através do diálogo.

A Mediação de Conflitos é uma profissão relativamente nova no mundo. No Brasil, foi regulamentada em 2017. O Mediador é um profissional imparcial que utiliza um sistema de perguntas, que ajuda duas ou mais pessoas a resolverem uma diferença. Existem algumas linhas de mediação:

– A Mediação de Harvard, aplicada em empresas, tem como objetivo somente um acordo.

– A Mediação Transformativa Reflexiva (Bush & Folger), tem como objetivo o reconhecimento e o empoderamento dos indivíduos. E busca a transformação da relação entre as pessoas.

– A Mediação Circular Narrativa (Sara Cobb), tem vários aspectos; a Teoria Sistêmica, a Teoria do Observador, a Visão Construtivista e Construcionista Social, a Teoria das Narrativas e o Processo Reflexivo.

A Mediação Transformativa Reflexiva é a minha linha escolhida pois o ganho principal é o restabelecimento da relaçãos entre os individiduos, e a tendência é que ao conseguirem então dialogar, encontrem uma solução para a diferença. Ao entrar em contato com este tipo de mediação me deparei com a possibilidade de usar também para o individuo, daí criei o Dialoguismo. Uma combinação das técnicas de Mediação e outras linhas que auxiliam o cliente com provocações de forma a ampliar sua percepção sobre o cenário atual e possibilidades. Diferente da terapia, que trata profundamente questões da psiquê e emocionais, ou do Coaching, que ajuda a pessoa a alcançar objetivos traçados.

Só para ter uma ideia, uma cliente me procurou com uma dúvida sobre sua vida profissional.
A consultora de marketing não conseguia mensurar de forma clara o resultado de seu trabalho. Há anos no mercado, começou a ter dúvidas sobre sua capacidade. Na quarta sessão, ela teve um insight de que não conseguia entregar o escopo do projeto proposto, pois se envolvia em outras áreas as quais não havia sido chamada. Isso comprometia o sucesso da sua entrega. O Dialoguismo ajudou ela a pensar sobre outros pontos de vista e hoje ela não se envolve mais em áreas que não estão no escopo do seu projeto, tendo excelência na entrega. Isso é só um exemplo de uma das áreas que o Dialoguismo pode contribuir.”

 

“Na minha opinião, as pessoas não escutam mais. Conversamos sempre preparando uma resposta, sem ouvir. Não exercermos a curiosidade ou a calma para sermos impactados pelo pensamento do outro. 

O Novo Diálogo é um exercício da escuta. da não ansiedade, da curiosidade, do respeito, da atenção e do não julgamento. Isso é inovação.”

 

“Em 2017, ao mesmo tempo que iniciei meu trabalho como Dialoguista, criei o Primeiros Diálogos.
O encontro de 4 pessoas com o mesmo propósito e diferentes habilidades complementares: um advogado especializado em conflitos em condomínios, uma ex-diretora jurídica de multinacional, uma facilitadora de processos de inovação e lideranca e um publicitário (eu). Gente que acredita em usar o diálogo como ferramenta de transformação. Juntos atendemos as mais diversas demandas; individuais, familiares, empresarias, condominiais e grupos.

Aos 46 anos, me sinto no caminho. Mais próximo do que nunca no meu novo propósito de vida.
Feliz em ajudar cada vez mais pessoas. Simples assim. E bem inovador.”

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1 comentário

  1. Puta orgulho!
    Mais uma vez, sinto que a capacidade de se reinventar é a melhor forma de encontrar a felicidade!
    Muito amor por você, Renato Zurlini!

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