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QUARENTENANDO

JUL 30, 2020

POR Caroline Secchis

VIVA BEM - Destaques Home - Carrossel - MENTE

Todos os dias aquela louca rotina em acordar, café, transporte e trabalho. Tem dias que odiamos, o chefe só reclama e não vemos a hora de chegar a linda sexta-feira… Em Março deste ano todos os dias se tornaram um monótono Domingo, eu precisei parar de atender, fiquei enclausurada em casa com cachorros, filho e muitas contas para pagar.

Para ajudar também tinha as aulas online, ter um filho no ensino médio com muitas dúvidas e muitas lições não foi fácil e considero um ano letivo perdido. Os cachorros só engordando e sem muita atividade, eu fiz academia por correspondência e bem apertada aqui em casa. A quarentena trouxe muitas questões e muitos afastamentos, cada dia era uma transformação na rotina. Quem diria que meu filho sentiria falta da escola?! Eu comecei a fazer entrevistas online para trabalhos em home office, trabalhos com atendimento bilingue por telefone e não optei por atender, porque meus clientes eram maioria crianças, e sem proximidade não tem como acompanhar. E os pacientes com a faixa etária maior que 60 anos também ficaria impossível de encontros com a pandemia.

Agora aqui pensando… “Quem não precisaria de uma terapia para aguentar esta fase?” Eu fui buscar uma, li bastante, tomei florais, fiz yoga, corrida, cozinhei bastante e até que saíram coisas boas. Meu aniversário foi em junho, muitas ligações, choros e saudade… Ganhei um delicioso jantar feito pelo meu filho no dia seguinte ao meu aniversário, então ele voltou para a casa do pai e eu fiquei aqui, um pouco mais sozinha, mais pensativa e tentando sempre me ocupar.

Ainda estamos em quarentena, um pouco mais relaxada e podendo sair com algumas restrições. Eu não sei vocês, mas quando eu sentei a primeira vez em uma padaria para comer um misto quente, eu senti um gosto tão diferente, aquela mordida tinha um sabor tão incrível que até fechei os olhos, percebi o cheiro da rua, os sons dos pássaros, até o barulho do trânsito me parecia uma sinfonia… Eu entendo agora, eu vivi com muito menos, tive trocas muito maiores e mesmo á distância, eu fiz vários trabalhos que nunca havia feito. Eu deixei de exigir “coisas” que não eram tão essenciais e me vi tão melhor que até por um momento eu esqueci os ataques de ansiedade e choros. Eu me perguntava sempre o que seria e nem percebia que já estava sendo, foi fortalecedor e ainda há mais por vir!

Este ano é a mais pura prova de que está mais do que na hora de pararmos para entender o que é realmente necessário, o quanto custa um tempo em que você pode olhar para o lado e ver seu bichinho te olhando com tanta ternura e parar tudo para  retribuir com um afago. Olhar para seu filho e dizer “Obrigada por existir”, cuidar daquela planta que estava seca e sem vida, beijar assim que puder sua mãe e dizer “eu te amo”. Isso é o agora, o amanhã é um enigma gigante e quem imaginaria que estaríamos nisso agora? Quem não pensou que não deveria ter pulado mais o Carnaval, ter ido até a casa dos avós no Natal do ano passado. Pois é, já foi! Não lamente, faça.

Perdeu o emprego, se renove, eu hoje tenho certeza que podemos fazer qualquer coisa quando queremos e estou aqui para testemunhar mais uma das minhas possibilidades descobertas.

Encerro aqui mais um texto!

Abraços,

Caroline Secchis

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